Adolescente no "limbo médico": quando o pediatra não basta

Adolescência e Família

10 de fevereiro de 2026

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Existe uma fase na vida do seu filho em que ele deixa de se identificar com o consultório pediátrico infantil, mas ainda não precisa (e nem quer) frequentar um clínico geral. Esse "limbo médico" é mais comum do que parece e tem consequências reais: muitos adolescentes simplesmente param de ir ao médico durante os anos mais decisivos para a sua saúde futura.

Por que a adolescência é uma janela crítica

A adolescência não é apenas uma fase de mudanças visíveis. É o período em que se definem padrões que vão acompanhar o indivíduo pela vida adulta:

  • Hábitos alimentares. O adolescente começa a fazer escolhas próprias sobre o que come, muitas vezes sem orientação. Padrões como pular refeições, consumir ultraprocessados e comer por impulso emocional se consolidam nessa fase.

  • Sedentarismo e telas. A média de tempo de tela entre adolescentes brasileiros supera 5 horas por dia. Isso se traduz em menos atividade física, pior qualidade do sono e maior risco de sobrepeso.

  • Saúde emocional. Ansiedade, depressão, transtornos alimentares e problemas de autoimagem cresceram significativamente entre adolescentes nos últimos anos. Muitas vezes, esses sinais passam despercebidos porque o adolescente não tem um médico de referência.

  • Riscos metabólicos silenciosos. Adolescentes com sobrepeso podem já apresentar resistência à insulina, colesterol alterado, hipertensão e até lesão renal precoce. Sem acompanhamento, essas condições avançam sem sintomas.


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O que faz a diferença no atendimento ao adolescente

O atendimento ao adolescente precisa respeitar três princípios que o diferenciam da consulta pediátrica infantil:

  • Escuta individual. O adolescente precisa ser ouvido primeiro, em ambiente de confiança, sem a presença imediata dos pais. Isso não significa excluir os pais, mas criar um espaço onde o jovem se sinta seguro para falar sobre sono, alimentação, humor, relacionamentos e preocupações com o corpo.

  • Investigação abrangente. Ir além do peso e da altura. O atendimento deve incluir composição corporal, perfil metabólico, pressão arterial, saúde renal (especialmente em adolescentes com sobrepeso), padrão de sono e saúde emocional.

  • Equipe integrada. Em muitos casos, o adolescente se beneficia de um acompanhamento que envolve nutricionista e psicóloga, além da médica. Quando esses profissionais trabalham de forma coordenada, os resultados são significativamente melhores.

Quando os pais devem se preocupar

Alguns sinais indicam que o adolescente precisa de avaliação especializada: ganho de peso acelerado nos últimos 12 meses, queixas frequentes de cansaço ou dor de cabeça, isolamento social ou mudanças bruscas de humor, resistência a comer com a família ou padrões alimentares restritivos, queda de rendimento escolar associada a alterações de sono. Nenhum desses sinais isoladamente significa doença, mas o conjunto merece atenção profissional.

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Consideração final

A adolescência é uma oportunidade. Os hábitos definidos nessa fase determinam grande parte da saúde adulta. Garantir que o seu filho tenha acompanhamento médico adequado durante esse período é um dos investimentos mais importantes que uma família pode fazer.

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