Enurese noturna: seu filho ainda faz xixi na cama?
Saúde Renal
10 de fevereiro de 2026



A enurese noturna, conhecida popularmente como "xixi na cama", é uma das queixas mais frequentes em consultórios pediátricos. Até os 5 anos de idade, é considerada parte do desenvolvimento normal. Após essa fase, quando os episódios persistem pelo menos duas vezes por semana, a situação merece investigação. O problema é mais comum do que os pais imaginam: estima se que entre 10% e 15% das crianças de 5 anos e cerca de 5% das crianças de 10 anos ainda apresentam enurese. E, apesar de ser tão frequente, continua cercado de tabu e desinformação.
O que pode estar por trás da enurese
A enurese noturna não é "frescura", preguiça ou falta de disciplina. Na maioria das vezes, tem causas fisiológicas que precisam ser avaliadas:
Produção noturna excessiva de urina. Algumas crianças produzem mais urina durante a noite do que a bexiga consegue armazenar, por uma regulação hormonal que ainda não amadureceu completamente.
Capacidade vesical reduzida. A bexiga de algumas crianças é funcionalmente menor do que o esperado para a idade, o que faz com que encha mais rapidamente durante o sono.
Dificuldade de despertar. Há crianças que têm um sono tão profundo que o sinal de bexiga cheia não é suficiente para acordá las.
Fatores genéticos. Se um dos pais tinha enurese na infância, a chance do filho ter é de cerca de 40%. Se ambos os pais tinham, a probabilidade sobe para 75%.
Condições urológicas ou renais. Em alguns casos, a enurese pode estar associada a malformações do trato urinário, infecções urinárias de repetição ou alterações na função renal que exigem investigação especializada.

Como funciona a investigação
O primeiro passo é uma consulta detalhada com um profissional que tenha experiência em enurese. A avaliação inclui:
Histórico completo. Frequência dos episódios, histórico familiar, padrão de ingestão de líquidos, hábitos de sono e funcionamento intestinal (a constipação é uma causa frequentemente ignorada de enurese).
Exames direcionados. Exame de urina, ultrassom de rins e vias urinárias e, quando indicado, avaliações mais específicas do trato urinário.
Plano de tratamento individualizado. As abordagens variam desde orientação comportamental (alarme noturno, diário miccional) até tratamento medicamentoso, conforme o mecanismo predominante identificado.
A Dra. Helen Takagi, por ser pediatra e nefrologista pediátrica, investiga a enurese de forma integrada: avalia tanto os aspectos comportamentais quanto os aspectos anatômicos e funcionais dos rins e do trato urinário, evitando que a criança precise circular entre múltiplos especialistas.
O impacto emocional que não pode ser ignorado
A enurese afeta profundamente a autoestima da criança. Ela pode evitar dormir na casa de amigos, sentir vergonha, ser alvo de comentários e desenvolver ansiedade. Os pais também sofrem, muitas vezes sem saber como ajudar. Por isso, o tratamento mais eficaz não é apenas clínico: inclui acolhimento, informação e suporte emocional para toda a família.



Consideração final
Se o seu filho tem mais de 5 anos e ainda faz xixi na cama com frequência, não espere que o problema se resolva sozinho. Na maioria dos casos, a enurese é tratável, e quanto mais cedo a investigação começar, mais rápido a criança recupera confiança e qualidade de vida.
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